Carros Adaptados
Uma coisa comum por aki, principalmente no leste da Bolívia, são os carros adaptados. Originalmente com direção do lado direito (como na Inglaterra), eles são reformados para passar a direção pro lado esquerdo. Fica muito estranho ver a direção de um lado e o painel do outro.
Minas de Plata
Hoje de manhã fomos às minas de prata do Cerro Rico de Potosí, com o Tour da agência Koala, que foi muito proveitoso.
Saímos 8:00 da manhã e a primeira parada foi no depósito onde deixamos nossas mochilas e roupas e vestimos equipamento apropriado: bota de borracha, calça e jaqueta e capacete com lanterna...
Depois paramos no mercado dos mineros, onde compramos umas dinamites e eu aproveitei pra comer 9 tunas (a fruta do cactus); e logo em seguida fomos uma central de processamento dos minérios.
Por fim adentramos de fato numa das minas, de nome Candelaria. Visitamos 4 níveis, chegando a 70 metros de profundidade. A mina é suja, quente, apertada, fedorenta e cheia de pó e lama... É portanto uma aventura essencial.
Como hoje é sábado, havia poucos mineros trabalhando, mas deu pra ver mesmo assim quão difícil deve ser o trabalho lá de dentro. Nosso guia era ex-minero e nos explicou detalhes de tudo da mina e também da história de Potosí. Os mineros acabam tendo várias doenças, como Silicose (por causa do pó) e Reumatismos (por causa do choque térmico).
Ao sair da mina, explodimos a dinamite que havíamos comprado...
Aymara Speaking Guides
Na agência, estava escrito que os guias do tour do salar falavam inglês... O nosso mal falava espanhol. Ele nunka entendia o nosso portunhol. Será que deveríamos falar Aymara com ele??
Jugo de Quinua
Pouco antes de pegar o Bus em Uyuni, vi uma barraca vendendo suco de Quinua com Maçã. Óbvio que resolvi experimentar. Paguei B$1 para isso, mas de tão horrível, só consegui beber metade do copo... Nem sempre esse negócio de experimentar comida típica dá certo.
Potosí
Depois de 6 horas e meia de viagem em um Bus com assentos não-reclináveis muito desconfortáveis na última fileira, finalmente chegamos em Potosí, mas meia hora atrasados com relação ao horário de fechamento da casa de la Moneda, então teremos que visitá-la amanhã à tarde, após voltarmos das Minas de Plata.
A arquitetura de Potosí me surpreendeu positivamente. As ruas, casas e praças são colonialmente harmoniosas.
Cemitério de trens
Hoje de manhã, antes de pegar o Bus para Potosi 10:00, eu e o Rudolf fomos caminhando até o Cemitério de Trens, que fica a pouco mais de 1 Km de Uyuni. O Tilão ficou, porque demorou demais para acordar. O lugar é só um ferro-velho de muitos trens e partes de trens, que também é usado para treinamento militar (encontramos o exército lá)... Não há muito o que ver.
Atolando mais ainda
Rumores disseram que a pista usual estava boa, então acabamos não indo pelo salar... Depois de infinitos atolamentos de outros jipes pelo caminho, os quais resgatamos porque nosso jipe era bom, acabamos chegando a um rio onde era realmente impossível passar. Tivemos então que esperar umas 4 horas para chamarem um outro jipe vindo de Uyuni até a outra margem, o qual pegamos depois de atravessar o rio a pé por uma ponte ainda em construção. Enquanto esperávamos, jogamos cartas (“presidente”) no jipe das irlandesas e da australiana, envoltos por muitas bexigas que elas haviam comprado no vilarejo de San Cristobal.
Esse atraso no tour nos fez perder o Bus noturno para Potosi, então estamos ficando mais uma noite aki em Uyuni...
Não ao Paraguay
O Rudolf e o Tilão leram no guia Lonely Planet das irlandesas que a estrada de Sucre a Assunção é infernal no inverno. Os passageiros até chegam a precisar cavar e remover árvores para o ônibus conseguir passar, No verão então, com as chuvas, dizem que a estrada se torna intransitável. A idéia de ir ao Paraguay foi definitivamente abandonada. E agora pensamos em parar em algum lugar no Brasil, entre Corumbá e Piracicaba, pois estamos adiantados em nosso roteiro.
Jipe Atolado
Depois da neve, continuou chovendo muito e em um dos rios que tivemos que atravessar, o outro jipe que estava nos acompanhando atolou e inundou. Foi necessário muito esforço e algum tempo pra tirar o jipe de dentro do rio, puxando-o com cordas com a tração do nosso jipe. Uma das cordas até chegou a arrebentar. E enquanto isso, nós e os turistas do outro jipe morríamos de frio naquela chuva...
Mas tudo acabou dando certo. Chegamos em Alota ao fim do crepúsculo, onde jantamos, jogamos cartas (truco e shithead) com os turistas do outro jipe (2 irlandesas, 1 australiana, 1 inglês e 1 americano) e dormimos.
O caminho de volta hoje será pelo salar, pois o caminho previsto normal é perigosamente cheio de rios, os quais devem estar com um volume de água muito grande por causa da chuva.
Paraguay?
Estamos considerando alterar nosso roteiro para passar no Paraguay e voltar ao Brasil por Foz do Iguaçu. Ainda precisamos descobrir quanto isso nos custaria em tempo e dinheiro, mas acho que pra mim talvez não valha tanto a pena, pois já conheço as cataratas e então haveria apenas Assunção de novo a ver.
Jipe Quebrado
Neste momento estamos parados em um vilarejo enquanto tentam consertar o jipe que quebrou...
Neve – Granizo!!!
Há pouco mais de 1 hora ocorreu algo incrível enquanto viajávamos pelas estradas entre as montanhas e lagunas: nevou!!! Nevou em pleno verão! Não foi uma neve perfeita, uma vez que o que caía do céu parecia algo entre um pequeno grão de granizo e um floco de neve, mas foi o suficiente pra tudo ficar branco!
Licancabur e Laguna Verde
O Licancabur é um vulcão que eu já havia avistado algumas vezes do Chile e da Argentina, durante os passeios pelo Atacama e na viagem pelo passo de Jama até Salta. Dessa vez pude vê-lo pelo lado da Bolívia, de onde ele é ainda mais impressionante. O principal diferencial é a Laguna Verde, que fica bem na base do vulcão e em alguns momentos me pareceu azul e em outros realmente verde. Nas margens da lagoa havia uma espuma de sal que nunca antes eu tinha visto igual.
Geysers e Termas
O dia hoje começou cedo. Saímos 5:00 da madrugada da laguna colorada, com muito frio, e chegamos nos geysers por volta de 6:30.
Os geysers daki são diferentes do Atacama. Praticamente não espirram água, mas em compensação expelem muito mas fumaça, às vezes de cor roxa! Aki eles também se localizam de forma mais concentrada e em terreno mais irregular.
Seguimos então viagem para as águas termais, chegando lá por volta de 7:30 e tomando o nosso desayuno. Apesar da empolgação prévia para entrar na água, fiquei receoso ao chegar lá. As piscinas naturais eram rasas demais, com lodo no fundo e pequenos insetos andando na superfície. Mesmo assim, acabei entrando, e valeu muito a pena. O Tilão também entrou, mas Rudolf não, provavelmente por medo do frio que sentiria do lado de fora e porque ele quer evitar se sujar, pra não precisar tomar banho. Comparando com as águas termais do Atacama, as daki são bem mais quentes, mais limpas, mais rasas e a temperatura externa não é tão fria...
Montanhas e Vulcões
Ontem também passamos montanhas de diversas cores e formações rochosas como a árvore de pedra... tudo bastante absurdo, aparentando não fazer parte do planeta Terra.
O reencontro
Ao contrário do combinado na agência, a mulher não foi buscar o Rudolf e o Tilão ontem de manhã no terminal. Quando olhei no relógio e já era 6:20 da manhã eles ainda não haviam aparecido, decidi ir eu mesmo buscá-los e felizmente nos reencontramos. Eles já estavam esperando havia 1 hora...
Lagunas
O dia de hoje incluiu paradas em diversas lagunas, as quais no entanto ficaram aquém das minhas expectativas. As lagunas do Atacama são muito melhores...
Algo legal das lagunas daki é que elas são cheias de flamingos, e algo não tão legal é o lodo nas margens, no qual atolei minhas botas.
A última lagoa foi a laguna colorada, de cor vermelha, onde jantamos e dormimos. Fazia muito vento, aponto de arrastar a gente quando a gente pulava.
Comida
Não estou muito satisfeito com a quantidade e qualidade da comida do nosso tour. A comida nos outros jipes parece ser bem melhor e mais farta. Neste exato momento estamos morrendo de fome esperando nossa janta ficar pronta.
O céu
Dormimos de ontem pra hoje no vilarejo de San Juan, onde não há energia elétrica. Foi perfeito para observar as constelações e a via láctea.
Salar e Isla del Pescado
A primeira parada depois de Uyuni foi o vilarejo de Colchani, onde se processa o sal retirado do salar adicionando-lhe iodo. Lá pudemos ver uma casa toda construída de sal.
Saindo de Colchani, logo adentramos no salar, que nesta época do ano fica todo alagado (uns 10cm de água...). Isso no entanto não impede os caminhões e jipes de viajar, ou navegar, sobre o salar , o qual consiste de uma camada espessa o suficiente de sal solidificado sobre um lago, formando padrões aproximadamente hexagonais no chão. Quando algum jipe morre por causa de água no motor (e o nosso morreu várias vezes), outros jipes o empurram para fazê-lo pegar.
No centro do salar, fizemos 2 paradas. A primeira foi em um hotel todo feito de sal, muito louco... Mas a Segunda parada, na ilha Incahuasi ou ilha del Pescado, foi ainda mais louca, pois o local é repleto de cactus gigantes. Teríamos que pagar B$8 para entrar na ilha, mas acabamos contornando e entrando por trás.
O salar é enorme. “Navegamos” por ele o dia todo e ele nunca acabava... E a fina película de água o transforma em um espelho que alcança até o horizonte e reflete as nuvens, as montanhas e até os carros e pessoas. Parece não haver chão. Parece não ser o planeta Terra...
O tour de 4 dias pelo Salar
O tour que eu agendei pra gente foi o de 4 dias, saindo segunda-feira 10:30 de Uyuni e retornando pra Uyuni na quinta à tarde. O tour inclui o próprio salar, a ilha del Pescado, vários lagunas, geysers, vulcões... além de hospedagem, 3 refeições e água.
Carne de Llama
Hoje no almoço reencontrei Anna e Merten, os alemães de Copacabana, e , junto com uma francesa que estava com eles, fomos almoçar. Todos conversamos bastante em alemão, o que foi muito bom para eu treinar.
Experimentei um bife de Llama muito bom, apesar de terem me dito que me daria diarréia, e eu estou pensando em comê-lo novamente agora na janta.
Uyuni
A cidade de Uyuni é bem mais fria e úmida do que eu imaginava. Estava chovendo quando cheguei (6:00) e fui com um argentino e uma suíça procurar albergue. Logo encontramos, dormimos um pouco e depois fomos às agencias para procurar tours. Eles já pegaram um tour hoje, mas eu vou esperar o Tiago e o Rudolf chegarem amanhã.
Apesar de não ter nada pra ver aki, o astral da cidade “me gustou”... Está havendo carnaval por aqui também, mas aki as pessoas correm no desfile e as guerras de água e espuma são ainda mais generalizadas, embora eu não tenha sido atingido nenhuma vez.
Tunas Verdes e Barras de Cereais
Em Oruro, a base da minha alimentação foram umas 15 tunas (a fruta do cactus). Além da amarelas e vermelhas, que eu já conhecia, experimentei uma variedade diferente, que é verde por dentro, é um pouco mais aguada, mais gostosa... e mais cara.
Também experimentei 6 tipos diferentes de barras de cereais andinos, todas bem mais gostosas que os industrializados Nutrys.
De Oruro a Uyuni
Pouco antes de partir de Oruro, acabei encontrando os chilenos, com os quais para a sorte deles quitei nossas dívidas, e também os alemães (aqueles de Copacabana), que também estavam indo para Uyuni mas em um outro Bus.
A viagem noturna para Uyuni foi péssima. Eu tinha que segurar toda a urina e as fezes que não fiz em Oruro e, pra piorar, a estrada era horrível e o ônibus não parava de pular por causa dos buracos. Do meu lado estava sentada uma típica boliviana gorda que ultrapassava o assento dela e é claro que não faltavam as pessoas, principalmente crianças, deitadas ou empoleiradas pelo corredor...
Disseram-me que o ônibus passou por cima, por dentro de vários rios, mas eu não consegui ver.
Sem Pudor
Os bolivianos não tem pudor de urinar ou até defecar em público, nas principais ruas da cidade, principalmente em época de festa. Eu quase aderi ao costume, porque os poucos banheiros estavam todos lotados e sujos, mas resolvi simplesmente segurar.
Guerras de Água e Espuma
Um costume muito estranho que há no Peru e na Bolívia na época do carnaval são guerras de água, que pode vir de baldes, bexigas ou armas especialmente projetadas, ou de sprays de espuma branca. Os nativos também acham especialmente engraçado atingir os outros de surpresa, em vez de atacar abertamente e pela frente.
Quase não fui atingido por água, mas bobeei algumas vezes e fui atingido por sprays de espuma. A primeira vez foi em La Paz, enquanto eu conversava distraidamente com um casal israelense. E das vezes em que fui atingido em Oruro, a pior foi uma em que um grupo de 4 ou 5 adolescentes apontou pra mim, começou a gritar “gringo! Gringo!” e encheu meu rosto de espuma. Deu até pra sentir o gosto doce dela...
Oruro e seu Carnaval
Cheguei em Oruro ontem por volta de 13:00, andei um pouco pela cidade, pesquisando preços de albergues e observando a cidade, e logo ficou evidente que aquele lugar estava ultra-lotado. Os albergues e hotéis não tinham mais camas e as poucas restantes estavam disponíveis só a preços absurdos. Também seria muito difícil encontrar Rudolf e o Tiago em meio àquela multidão. Tudo isso me fez optar por pagar o ônibus noturno 20:00 para Uyuni (comprei a última passagem existente!). E é claro que eu deixei avisado no Brasil sobre a mudança de planos pra eles avisarem o Tiago e o Rudolf que eu estaria esperando em Uyuni na segunda-feira, já com os tours para o salar agendados.
De 15:00 a 19:00 andei então pelo carnaval de Oruro. É semelhante à festa da virgem da candelária de Copacabana, mas em uma escala muito maior. Há mais variedade de fantasias e de danças e a média de idade dos participantes é bem mais baixa. Mas as músicas são bem parecidas, senão as mesmas, sendo apenas instrumentais.
Havia tanta gente empoleirada em arquibancadas ao longo da avenida principal de Oruro, por onde o desfile passava, que era impossível observar alguma coisa dali. Contornei então toda a região das arquibancadas até chegar a uma montanha, onde também havia muita gente empoleirada mas pelo menos havia lugar pra mim de onde eu podia ver alguma coisa... mais especificamente, dava pra ver a Plaza em frente à Catedral, onde o desfile acabava e onde, acredito eu, ele atingia o clímax coreográfico.