Ônibus Peruanos Lotados
No Peru, ou os cobradores e motoristas de Bus não sabem contar, ou não sabem o que significa “lotação máxima”. No Bus que pegamos de Cuzco à Urubamba havia umas 25 pessoas numa vãn de 13 lugares. E na volta tivemos que ficar algum tempo em pé numa viagem que demorou 1hora e 30minutos, aproximadamente.
Valle Sagrado de los Inkas
Nosso plano para Sexta-feira (ontem) era acordar bem cedo e pegar o ônibus 5:00 da manhã para Ollantaytambo. Chegando lá compraríamos passagem do trem mais barato (US$24) 20:20 para Agua Calientes e Machu Picchu. E enquanto esperávamos o trem, conheceríamos Ollantaytambo e outras atrações do Valle durante o dia. Mas deu quase tudo errado. Para começar, eu e o Rudolf não ouvimos o despertador e o Tilão só foi voltar dos bares de Cuzco por volta de 4:50. Acabamos pegando o Bus para Ollanta apenas 6:30 e fomos chegar lá por volta de 9:00. E pra piorar, não havia mais passagens do trem para sexta à noite. Tivemos que mudar radicalmente nosso plano.
Compramos passagem de ida do trem para domingo a noite e de volta para terça de madrugada. Assim dormimos de domingo pra segunda e de segunda pra terça em Aguas Calientes e visitaremos Machu Picchu na segunda-feira. E após conversarmos bastante na oficina de turismo de Ollanta, decidimos visitar na sexta, além de Ollantaytambo, as ruínas de Moray e a cidade de Maras. No Domingo, antes de pegar o trem, visitaremos Pisaq e Chinchero, outras duas atrações do Valle. E hoje, sábado, faremos um passeio mais light por Cuzco, visitando museus e feiras.
As ruínas de Ollantaytambo, que ficam encrustradas numa das extremidades do vale, são impressionantes. A disposição das áreas de agricultura em vários níveis é muito organizada. E a vista que se tem do vale lá de cima também vale a pena.
O vilarejo de Maras e as ruínas de Moray normalmente não estão incluídos nos tours pelo vale que se podem comprar em Cuzco e, mesmo para quem visita independente, como nós, pode ficar bem caro pegar um taxi de Urubamba até lá. Mas nós conseguimos fazer um esquema barato para chegar lá. Pegamos Bus de Urubamba à Cuzco via Chindero e descemos no meio da estrada no ponto de Ramal. De lá pegamos um taxi barato (P$6,70 pra cada um) que nos levou até Moray, nos esperou lá por pouco mais de 30 minutos e depois nos levou ao vilarejo de Maras. E apesar de um pouco complicado, esse esquema agregou muito calor ao nosso dia.
Moray foi um campo agricultural experimental dos Inkas. Eles demarcaram com pedras vários níveis circulares concêntricos dentro de um buraco gigantesco e assim eles conseguiram diferentes microclimas em cada nível.
Já o vilarejo de Maras, além de típico e interessante por si só, ainda fica rodeado por montanhas andinas, algumas delas nevadas.
Cuzco, Ruínas Próximas
Nosso primeiro dia em Cuzco ontem foi extremamente ineficiente, em grande parte devido a demora do Tilão em arrumar as coisas dele. Precisamos dar um jeito nisso, senão vai ficar complicado ver tudo que queremos ver.
Após pesquisar preços de Tours em uma agência e meios alternativos na oficina de turismo, que foi muito atenciosa, decidimos visitar tudo independentemente...
Tentamos combinar de encontrar Adler na praça, mas como não deu certo, fomos sozinhos com um francês visitar as ruínas próximas de Cuzco.
Pegamos um taxi até a ruína mais distante, Tambomachay, saindo 15:00 de Cuzco. Como aki escurece cedo, pouco depois de 18:00, isso nos deixou com muito pouco tempo para visitar todas as 4 ruínas próximas.
Depois de tambomachay, fomos a Puka Pukara, a fortaleza vermelha, que é logo do lado e tem vistas legais para um vale.
A próxima, Q’Enko, fica a uns 8 km de Puka Pukara. Provavelmente não conseguiríamos chegar a tempo andando, então pegamos um ônibus, mais especificamente o segundo que passou, porque o primeiro que passou nós perdemos pois o Tilão e o Francês ficavam sempre para trás. Dizem que Q’Enko foi um templo para sacrifício humano dos inkas.
Perto de Q’Enko há o templo de la Luna e, logo depois, Sacsayhuamán, a maior e mais interessante das quatro. De lá de cima, tem-se uma vista excelente de Cuzco. E como no caminho de volta já havia escurecido, pudemos também ter uma vista noturna.
De Puno à Cuzco
Como haveria paro (greve) na quinta-feira de manhã, nossas passagens para Cuzco já compradas para esse dia tiveram que ser trocadas pra quarta feira à noite. Nessas mudanças todas, nosso agente de viagens nos enrolou e acabamos comprando por P$20 uma passagem que na verdade valia P$10; e o dinheiro que já havíamos pago não nos foi reembolsado, mas sim trocado por uma estadia em hotel caro em Cuzco. Mais tarde descobrimos que esse mesmo agente também nos enrolou no preço do tour das ilhas, pois compramos por P$60 enquanto outras pessoas compram por P$40.
A viagem a Cuzco foi horrível. O ônibus deveria ter saído 19:00 e chegado 2:00, mas acabou saindo 20:00 e chegando 5:00.
E ainda ganhei um torcicolo. Pelo menos o kara do hotel estava nos esperando na rodoviária.
Ilha de Taquile
Na ilha Taquile chegamos por volta de 9:30 e ficamos até 12:30. Ela é bem mais turística que Amantani, mas Amantani é bem mais legal. Não dá pra entender porque nosso guia de viagem só fala de Taquile.
Enquanto a maior parte do grupo foi almoçar, eu, Tilão e mais algumas outras pessoas fomos caminhar pela ilha e chegamos no porto dos pescadores. Depois caminhamos pelas pedras da margem até chegar ao porto turístico...(Rudolf não participou dessa exploração por causa do Sol).
Ilha de Amantani
Chegamos a Isla de Amantani ontem por volta de 13:30 e logo fomos apresentados à família que nos hospedaria, que por coincidência foi a família do capitão do barco. Eles nos prepararam um almoço que consistiu de sopa de Quinua, uma semente da ilha, e batatas brancas e roxas. Estava muito bom.
A ilha possui 2 montanhas, uma delas com templo a padratata no topo outra com templo de pachamama e demos 3 voltas nele para realizar um pedido. Lá de cima e ao longo de todo o caminho, é possível ter vistas sensacionais do lago e de toda a ilha. Ficamos lá até o por-do-sol, quando então a temperatura caiu muito e descemos correndo. Queríamos ter subido a outra montanha hoje de manhã, mas a chuva atrapalhou nossos planos.
A ilha é toda recortada e demarcada com pedras, que formam canteiros com diferentes plantações.
Nossa casa, assim como provavelmente todas as outras, era construída de Adobe, não possuía energia elétrica e o banheiro era uma fossa do lado de fora da casa, próximo à horta, e ao local onde ficavam as ovelhas, o burro e a galinha...
Ontem a noite houve uma festa típica para os estrangeiros, Deram roupas típicas (ponchos, gorros para os homens e saias e blusas coloridas para as mulheres) para os turistas e fizeram umas danças típicas. Experimentei Inka-Cola, que é horrível.
Dormi com 4 camadas de blusas, então não passei tanto frio, apesar da porta do quarto não fechar direito. Depois de um leve Desayuno (café da manhã), que incluía mate de muña (uma planta local da ilha), o qual não aguento mais tomar, pegamos o barco para Taquile...
Las Islas flutuantes de Uros
O Tour saiu da pousada e nos levou até o ponto. Lá pegamos um barco e pouco tempo depois já estávamos em uma das ilhas flutuantes de Uros.
Elas foram construídas por comunidades Aymaras, quando fugiram ao perder guerras com outras tribos e civilizações nas margens. A construção delas é muito interessante. Praticamente tudo é feito com “totora”, uma planta que cresce às margens do lago e que, além de flutuar bem, também é combustível. Apesar de flutuantes, as ilhas são entretanto fixas; e para isso eles usam estacas.
São por volta de 30 ilhas. Algumas vivem do turismo e da pesca, enquanto outras apenas da pesca para a própria subsistência. Eles também desenvolvem hortas em cima das ilhas, usando as raízes da totora como adubo. Sem querer, eu pisei em uma das hortas...
Estar em cima das ilhas é uma sensação muito legal e é até possível dormir em uma delas por apenas P$5, junto com os nativos, mas não temos tempo.
Cada ilha deve ter umas 7 a 10 casas e o transporte entre elas é feito em balsas de Totora e com cabeça de monstro em uma das extremidades.
Agora estamos navegando por 3 horas até a ilha de Amantani.
Ah... e eu já estava quase esquecendo de contar que a palavra “Uros” significa “saída do sol”.
O Tour pelo Titicaca
No próprio hotel em que ficamos, já agendamos nosso tour pelo Titicaca, cujo nome significa “pedra do puma”em Aymara ou Quechua. Por apenas R$60 por pessoa estamos navegando por 2 dias pelo Titicaca, visitando 3 ilhas e dormindo em uma delas.
A Maldita janela Aberta
A última noite, em Puno, que deveria ser ótima, pois encontramos uma pousada muito boa por um preço excelente, foi, no entanto, terrível. O Tiago, ao falar com umas argentinas que ficaram trancadas pra fora do hotel à noite, esqueceu a janela aberta. Morremos de frio a noite inteira e só fomos perceber a besteira hoje 6:00 da manhã.
Puno
Chegamos ontem no fim da tarde em Puno, especialmente porque lá escurece bem cedo. Estava muito frio e chovendo muito, mas para aproveitar o tempo decidimos ir assim mesmo a “Kuntur Wasi” (A casa do condor, em Quéchua), um mirador de onde é possível ver toda a cidade e bastante do lago. Lá em cima, depois de infinitos degraus de escada, estava ventando muito, chovendo ainda mais e frio, muito frio.
Quando descemos novamente para a cidade, fomos logo para um pequeno restaurante onde pudemos comer bisteca, batata frita, arroz, salada e sopa por apenas R$2 !!
Depois, 20:00, o Adler pegou o ônibus para Cuzco e nós 3 enfim paramos em um hotel, onde poderíamos dormir tranqüilos e, principalmente, tomar nosso primeiro banho desde que partimos de Puerto Quijarro, havia 3 dias.
Também aproveitei a nossa parada para reestabelecer contato por telefone, MSN e E-mail com o pessoal de casa.
O roubo dos policiais
Ao entrar no Peru em Desaguadero, precisamos ser revistados por 4 policiais que procuravam por drogas. Um por um eles nos fizeram entrar numa sala sozinhos com eles e revistaram todas nossas malas. Durante toda revista, mantive toda minha atenção naquilo que mais me preocupava: o dinheiro. Mas num determinado momento, um policial estava com meu cartão de crédito, outro com meus Travellers Cheques e Dólares e outro ainda com meus reais, que nem eu lembrava onde eu tinha deixado na mochila. Eu não os vi pegando nada, mas algum tempo depois, quando fui trocar dinheiro, eu tinha US$100 a menos...
Direto à Puno
Os ônibus de La Paz a Puno só saem 8:00, o que nos obrigaria a ficar 1 dia em La Paz, mas graças ao Adler, ficamos sabendo de um esquema muito mais interessante... Pegamos um taxi da rodoviária até o cemitério, de onde partem taxis baratos até Desaguadero, cidade na fronteira com o Peru e à beira do Titicaca. Atravessamos a fronteira a pé e pegamos um micro-ônibus muito desconfortável... A viagem toda saiu mais barata e muito mais rápida do que de ônibus.
Estrada para La Paz
Subimos abruptamente para mais de 3000 metros de altitude e a temperatura caiu dramaticamente durante a madrugada. O Rudolf até precisou buscar uma blusa na mochila. Agora já está mais agradável para viajar que aquele calor infernal. E tomamos uns goles de chá de coca para aclimatar com a altitude.
Não há árvores aki. Apenas vegetação rasteira em um solo muito escuro. E como as casas à beira da estrada também são feitas de tijolos muito escuros, elas ficam praticamente camufladas.
Santa Cruz
De 11:00 a 17:00, ficamos livres para conhecer o centro de Santa Cruz.
Telefonamos para a Luciana e combinamos de nos encontrar na catedral, mas houve algum desencontro. Acabamos visitando sozinhos, junto com o Adler, um peruano de Cuzco que conhecemos no trem. Por sorte conhecemos a Catedral nos últimos minutos em que ela ficava aberta para visitação. Permanecemos um bom tempo na Plaza, qué é muito bonita e rodeada de prédios interessantes. Andamos então pelo centro, comemos bem e à vontade por B$13,00. Conhecemos também o Parque Arenal e a estrada do Campus Universitário.
Cochabamba
Com medo do paro cívico (greve) por causa do aumento do petróleo, o mesmo motivo que levou à parada do trem, decidimos cortar Cochabamba do nosso roteiro e seguir direto para La Paz o mais rápido possível. Pegamos o ônibus noturno mais cedo, 17:00, para reduzir a chance de sermos bloqueados na estrada pelo Paro.
El Trem de La Muerte
Por fim pegamos e sobrevivemos ao trem da Morte! Chegamos na estação 11:00, uma hora antes da partida, e já havia filas e confusão. Acessamos a plataforma pouco antes de 12:00 e aí cometemos um erro. Um militar nos disse que precisávamos despachar as malas e o fizemos, pagando aos estibadores, mas isso não era realmente necessário, pois quase todo mundo leva as mochilas para dentro do trem.
Das 3 classes possíveis (Segunda, primeira e pullman), acabamos indo na pullman, que é a melhor ( e custa o dobro) e tem assentos reclináveis. Dizem que deveria Ter ar condicionado e outras mordomias mas acabou não tendo...
Também dizem que a viagem deveria demorar 20 horas, mas acabou demorando 23. O trem pára em cada pequeno povoado no meio do caminho, mesmo de madrugada, e aí entram no trem crianças nativas vendendo lemons, limonada, pollo, empanadas, tortilhas... Em 2 povoados, a parada foi pouco um mais longa, enquanto a gente esperava e sofria com os solavancos dos encaixes de novos vagões de carga.
O início da viagem foi infernal de calor. Ao crepúsculo comecei a ser atacado por mosquitos e logo passei o repelente do Tilão. Ao cair da noite choveu bem forte e, como as janelas não fechavam muito bem, o vagão ficou ligeiramente com poças.
O Rudolf não parou quieto na cadeira. Passou a viagem toda no corredor fazendo contatos que talvez sejam muito úteis no restante da viagem.
Já eu e o Tilão passamos boa parte da viagem conversando com luciana, uma brasileira muito legal que estava sentada atrás de nós. Por coincidência ela já havia viajado com aqueles 2 argentinos de P. Quijarro ao Pantanal. Ela está no sexto ano de medicina na Universidade de Santa Cruz e nos passou muitas dicas sobre a Bolívia, além dos contatos dela, para caso precisássemos de alguma coisa em Santa Cruz. Conversar com ela tornou as 23horas praticamente imperceptíveis.
As luzes do trem se apagaram 22:00 em ponto e eu então dormi muito bem até 3:30 e depois de 4:00 a 7:00...
O Plástico de Beleza Americana
Estamos em frente à catedral de Santa Cruz e um plástico está voando há muito tempo, como no filme “Beleza Americana”. O vento aki é muito bom, ao contrário de em Quijarro, onde não ventava absolutamente nada.